Disciplina e rigor: Valores que impactam a vida das pessoas e organizações
José Mauro Floriano | Foto Divulgação
Na década de noventa, tive o prazer de trabalhar com Georges Bondon, um francês que veio ao Brasil para implantar um programa de qualidade total e melhoria contínua. Faço aqui minhas homenagens póstumas a ele.
Em nossas conversas, discutíamos as diferenças entre as culturas francesa e brasileira, além de imaginar o futuro do Brasil. O programa de qualidade total era dividido em 14 etapas, uma das quais incluía auditorias internas para preparar as empresas para a certificação ISO 9001. Após as auditorias, a diretoria se reunia para receber o relatório e identificar os pontos a serem melhorados. Era estabelecido um prazo de 30 dias para a apresentação de um plano de ação, mas frequentemente as empresas solicitavam prazos adicionais. Mesmo após a entrega dos planos, as visitas de acompanhamento mostravam que as atividades nem sempre eram completadas, resultando em novos pedidos de prazos.
Em um dia específico, ele, com bastante energia, afirmou: “Se os brasileiros tratassem as coisas com disciplina e rigor, teríamos um país muito mais próspero.” Essas palavras me acompanharam por mais de 30 anos.
Desde então, muitas melhorias foram implementadas, e temos pessoas e organizações de sucesso em todo o mundo. No entanto, esses valores ainda não estão totalmente internalizados ou praticados pela maioria.
Além disso, disciplina e rigor são muitas vezes mal interpretados. Famílias que perdem o controle na definição de limites aos filhos influenciam negativamente o ambiente familiar que, por sua vez, impactam também no ambiente organizacional.
Os 15 minutos de atraso no início de reuniões ou eventos tornaram-se comuns. Em vez de começar no horário, muitas vezes se estabelece um horário 30 minutos antes para acomodar a chegada dos convidados.
Em certa ocasião, o Sr. Bondon criou duas siglas:
CUCO e CUNC – Custo de Conformidade e Custo de Não Conformidade. Para exemplificar o CUNC ele abordou o tema do atraso nas reuniões: Reunião agendada para 9h. Atraso de 25 minutos. Média do valor da hora de trabalho dos participantes: R$ 200,00
ou R$ 3,33 por minuto. Número de participantes: 10 pessoas. O cálculo do CUNC relativo aos 25 minitos de atraso seria:
10 pessoas x 25 minutos x R$ 3,33 = R$ 832,50.
Este exemplo é para uma reunião. Imaginem o resultado ampliando este exercício para as milhares de reuniões e eventos que são promovidos diariamente.
Ele costumava dizer: “O desperdício de tempo corrói resultados, orçamentos, investimentos e a produtividade.”
A cultura do atraso no Brasil impacta diretamente esses resultados. Além das reuniões, perdemos tempo no trânsito devido à falta de investimentos em semáforos inteligentes e infraestrutura adequada.
Isso se reflete na execução de planos, na dilatação de prazos, na comunicação objetiva e assertiva e em retrabalhos por não se fazer certo da primeira vez.
Temos, portanto, a oportunidade de internalizar esses valores em nossa cultura e hábitos. Que tal começarmos a respeitar os horários de início e término das reuniões e eventos. Ter disciplina e agir com rigor certamente nos levará a posições de destaque na obtenção de resultados individuais e organizacionais.
José Mauro Floriano é Corretor e Avaliador Imobiliário. MBA Gestão Empresarial. Especialista em Gestão Empresarial e Investimentos em Negócios Inovadores.

