Gestão, cautela e inovação – Uberlândia diante de um ano decisivo para os negócios
Carolina Barros | Foto: Divulgação
Uberlândia chega a 2026 consolidada como um dos principais polos econômicos do interior do Brasil, mas inserida em um cenário nacional marcado por incertezas e desafios. Para o empresário Fábio Pergher, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Uberlândia (Codem), o momento exige atenção redobrada dos empreendedores, planejamento estratégico e uma gestão cada vez mais profissional.
Segundo Pergher, o ambiente de negócios no Brasil atravessa uma combinação inédita de fatores de pressão. Juros elevados, reforma tributária em fase de implantação, ano eleitoral, Copa do Mundo e um calendário com muitos feriados prolongados impactam diretamente a produtividade, o consumo e as decisões de investimento. “Nunca tivemos um ano com tantos desafios ao mesmo tempo. É preciso cautela, mas sem perder o otimismo”, afirma.
A reforma tributária aparece como um dos pontos centrais de preocupação. Para o presidente do Codem, o novo sistema tende a reduzir a informalidade e ampliar a base de arrecadação, afetando empresas de todos os portes e setores. “Desde o pequeno prestador de serviços até a grande indústria sentirão o impacto. Isso exige mais controle, mais gestão e adaptação rápida”, avalia. Setores como construção civil, agronegócio, indústria, saúde e serviços devem enfrentar aumento de custos e pressão sobre margens.
Além do aspecto fiscal, Pergher destaca a complexidade crescente do ambiente regulatório e trabalhista. Mudanças frequentes nas regras, maior judicialização e o peso das redes sociais tornam o cotidiano empresarial mais sensível. “Hoje o empresário precisa ter cuidado com tudo: discurso, postura e decisões. A gestão deixou de ser apenas financeira e passou a ser também institucional.”
Ao olhar para Uberlândia, o empresário vê uma cidade cheia de oportunidades, mas que começa a sentir as dores do crescimento acelerado. Mobilidade urbana, abastecimento de água, energia elétrica e infraestrutura viária já apresentam sinais de limite em algumas regiões. “O crescimento é inevitável, mas precisa ser planejado. Não podemos comprometer a qualidade de vida, que é um dos grandes ativos da cidade”, ressalta.
Apesar dos desafios, Pergher é enfático ao destacar os pontos fortes do município. Uberlândia se consolida como polo regional de saúde, educação, agronegócio, indústria, tecnologia e serviços. A cidade também se destaca pela cultura empreendedora e pela capacidade de inovação, sendo referência nacional no ecossistema de startups. “Temos exemplos, referências e uma nova geração com mentalidade inovadora. Isso cria um ambiente fértil para novos negócios”, afirma.
Nesse contexto, o papel do *Codem* ganha relevância estratégica. Composto por 28 entidades representativas, o conselho atua como elo entre sociedade civil organizada e poder público, propondo soluções práticas para os desafios do desenvolvimento urbano e econômico. “Nosso papel não é apenas apontar problemas, mas ajudar a construir caminhos, especialmente em áreas como mobilidade e planejamento urbano”, explica.
Pergher também reforça a importância do associativismo como ferramenta de crescimento coletivo. “Dentro das entidades, não somos concorrentes, somos parceiros de segmento. O desenvolvimento sustentável passa pela cooperação.”
Ao final, a mensagem do empresário para quem empreende em Uberlândia é direta: trabalho, disciplina e pé no chão. Em um cenário de juros altos, ele recomenda cautela com endividamento e foco em eficiência. “Nada substitui o trabalho e a determinação. Uberlândia tem oportunidades para quem está preparado.”
Para Fábio Pergher, o futuro da cidade é promissor, desde que o crescimento econômico venha acompanhado de planejamento, inovação e compromisso coletivo. “A cidade vai continuar crescendo. O desafio é garantir que esse crescimento gere prosperidade, qualidade de vida e desenvolvimento sustentável para todos.”

