Daniel Labanca | Foto: Divulgação

O mercado de comunicação também precisa dos pequenos para continuar evoluindo. É comum ouvirmos de agentes de comunicação reclamações sobre concorrentes que cobram valores muito baixos, por parte de empresas de pequeno porte, ou de profissionais iniciantes no mercado. 

A crítica recorrente é que esses profissionais empurrariam o mercado para baixo, nivelando uma política de preço com uma régua reduzida e perigosamente viciosa. Preços reduzidos prejudicariam então toda a cadeia do setor. Mas há um outro ângulo possível, menos defensivo e mais estratégico, para quem sabe o valor que um bom serviço prestado tem – e não apenas no setor da comunicação. 

Empresas que cobram barato precisam compensar margens reduzidas de lucro. Isso só pode ser feito de duas formas bastante conhecidas pelo mercado: a primeira é utilizar insumos de baixa qualidade, sejam pessoas ou recursos. 

A segunda é atender um grande volume de clientes para ganhar na escala. Essa combinação raramente entrega profundidade, cuidado ou diferenciação. O resultado costuma ser frustrante para quem busca atenção personalizada, mas suficiente para tirarmos boas conclusões. 

Na comunicação, esse efeito é ainda mais sensível e frequente. Afinal, comunicar é parte da rotina de todas as empresas, sem exceção. 

Quando a escolha por um fornecedor desta área começa apenas pelo preço, o final tende a se repetir: o cliente recebe soluções genéricas, fórmulas prontas e nada exclusivas. Surge então a insatisfação de quem esperava dedicação e visão de negócio. 

E nessa brecha trazida pela “seleção natural” do mercado é que as grandes empresas do setor têm firmado sua atuação, diferenciando largamente o produto que entregam daqueles encontrados mais recorrentemente por aí. 

Comunicar não precisa ser caro. 

Mas, priorizar preço baixo exige estar preparado para custos posteriores. Refações, correções constantes e retrabalho consomem tempo e energia. Há ainda o desgaste interno e externo causado por erros de comunicação, com a imagem da marca pagando um preço alto por decisões apressadas. 

O mercado de comunicação cresceu de forma acelerada nos últimos anos. Hoje existem ofertas para todos os bolsos, níveis e expectativas. Essa diversidade é positiva, desde que as escolhas sejam conscientes. 

Ele dá oportunidade para que todos se comuniquem, democraticamente. E ela também separa de maneira mais evidente investimentos de preço, de investimentos de valor. 

Pequenos players são bem-vindos ao jogo, para dar oportunidades nesta grande vitrine que é o mercado. E grandes players reforçam que qualidade, no fim, sempre encontra quem a reconheça. 

Daniel Labanca é comunicador, com formação nas áreas de publicidade, marketing e psicanálise

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.