A alta da inflação deve levar o governo a revisar para aproximadamente R$ 1.746 a previsão do salário mínimo de 2027. O valor é superior aos R$ 1.717 previstos no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado ao Congresso em abril.

A estimativa considera o salário mínimo atual de R$ 1.621, uma projeção de 5,3% para o INPC em 2026 e crescimento de 2,3% do PIB, que garante ganho real no reajuste. O valor definitivo dependerá da inflação acumulada até novembro e será atualizado na proposta do Orçamento de 2027, prevista para agosto.

A revisão ocorre após o Ministério da Fazenda elevar sua projeção para o INPC, impulsionada pela alta dos alimentos, repasses de preços e riscos climáticos e internacionais.

Além de beneficiar trabalhadores e aposentados, um salário mínimo maior aumenta a pressão sobre as contas públicas. Segundo estimativas do governo, cada R$ 1 de reajuste eleva os gastos previdenciários em cerca de R$ 429 milhões por ano. Com uma diferença de R$ 29 em relação à previsão inicial, o impacto pode chegar a R$ 12,4 bilhões, sem considerar despesas como Benefício de Prestação Continuada (BPC) e abono salarial.

O novo valor reforça o desafio do governo para cumprir a meta fiscal de 2027, em um cenário de orçamento cada vez mais pressionado por despesas obrigatórias.

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