Existe, de fato, uma correlação entre gestão pública, negócios e geração de riqueza?
José Floriano | Foto: Divulgação
Poucas perguntas são tão negligenciadas — e ao mesmo tempo tão evidentes — quanto essa.
A prosperidade de uma cidade não é fruto do acaso. Ela é construída, planejada e, acima de tudo, gerida.
Minas Gerais oferece um exemplo claro dessa realidade. Dados recentes da Fundação João Pinheiro indicam que o estado encerrou 2025 com um PIB estimado em R$1,157 trilhão, mantendo uma participação relevante na economia nacional, próxima de 10%. Mais do que números, esse resultado revela um padrão: a riqueza não está distribuída de forma homogênea — ela se concentra.
Belo Horizonte, Betim, Uberlândia, Contagem e Uberaba respondem por cerca de um terço de toda a riqueza do estado. E isso nos leva à pergunta central: o que essas cidades fazem de diferente?
A resposta passa, inevitavelmente, pela qualidade da gestão pública e da mentalidade empresarial e acadêmica.
Não se trata de perfeição. Nenhuma dessas cidades é isenta de desafios. Mas há nelas algo em comum: previsibilidade. Zoneamentos mais claros, processos mais organizados, menor volatilidade nas decisões e, principalmente, um ambiente institucional que reduz incertezas.
E onde há previsibilidade, o investimento encontra terreno fértil.
Outro fator decisivo é a maturidade da relação entre o setor público e o setor privado. Nessas cidades, essa conexão não é apenas discursiva — ela se traduz em projetos concretos, parcerias estruturadas e na criação de distritos industriais que efetivamente saem do papel.
O resultado é visível: expansão acelerada do setor imobiliário, diversificação econômica e fortalecimento de cadeias produtivas.
A localização geográfica também exerce papel estratégico. O Triângulo Mineiro, em especial, funciona como um verdadeiro entroncamento logístico nacional, com acesso privilegiado a importantes rodovias e conexões que integram diferentes regiões do país. Essa infraestrutura potencializa a competitividade e reduz custos operacionais, fatores essenciais para qualquer ambiente de negócios saudável.
No entanto, há um elemento frequentemente subestimado nessa equação — e que sustenta grande parte dessa dinâmica: o agronegócio.
Mais do que um setor produtivo, o agro é um motor silencioso de geração de riqueza. Ele não apenas impulsiona a produção no campo, mas sustenta uma cadeia extensa que envolve logística, indústria, tecnologia e serviços. O capital gerado no agronegócio circula, reinveste e se materializa no crescimento urbano.
Em outras palavras: o agro planta no campo, mas colhe desenvolvimento nas cidades.
Quando observamos mais de perto cidades como Uberlândia e Uberaba, torna-se evidente outro diferencial relevante: uma mentalidade de gestão orientada por princípios empresariais. A presença de lideranças com experiência no setor produtivo contribui para uma administração mais pragmática, com maior integração entre secretarias e mais eficiência na entrega de serviços públicos.
Temas como inovação, empreendedorismo, hubs de negócios e nova economia deixaram de ser conceitos abstratos para se tornarem diretrizes concretas de planejamento urbano e desenvolvimento regional.
Forma-se, assim, um ecossistema robusto — onde universidades, entidades de classe, setor empresarial e poder público atuam de maneira coordenada, criando um ambiente propício à formação de talentos, atração de investimentos e geração contínua de oportunidades.
Diante desse cenário, a correlação entre gestão pública, negócios e geração de riqueza deixa de ser uma hipótese e se consolida como evidência.
Cidades não enriquecem por acaso.
Elas prosperam quando existe alinhamento entre visão estratégica, ambiente institucional favorável e valorização de quem produz — seja no campo, na indústria ou nos serviços.
O Triângulo Mineiro demonstra que esse caminho é possível — e mais do que isso, replicável.
A questão que permanece não é mais se essa correlação existe.
Mas sim: quem está preparado para aplicá-la?
José Mauro Floriano é corretor e avaliador imobiliário. MBA Gestão Empresarial. Especialista em Gestão Empresarial e Investimentos em Negócios Inovadores

