Vinhos nacionais: indicações geográficas do Brasil

As videiras foram trazidas da Ilha da Madeira ao Brasil em 1532 por Martim Afonso de Souza e plantadas por Brás Cubas, inicialmente no litoral paulista e depois, em 1551, na região de Tatuapé. Em 1626 as primeiras videiras chegam ao Rio Grande Sul através dos jesuítas. Porém, o divisor de água da nossa produção ocorreu com a chegada dos primeiros imigrantes vindo do Vêneto (norte da Itália) em 1875 na Serra Gaúcha. No século XX surgem as cooperativas e também as instalações das primeiras multinacionais no setor vínico. Entre os anos 1970 e 1980 a vitivinicultura brasileira passa por grandes avanços tecnológicos.

Com os avanços na área tecnológica e, principalmente na melhoria da qualidade dos nossos vinhos, seguidos, é claro, da multiplicação da cultura da vinificação, a indústria foi avançando para outras regiões do nosso país. Embora o Rio Grande do Sul seja responsável por 90 % da produção brasileira, hoje podemos afirmar que não é o único Estado produtor. Temos vinícolas em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás e no Vale de São Francisco.

O que são Indicações Geográficas

Depois de fazer um grande resumo da história do vinho no Brasil, é o momento de eu falar sobre as Indicações Geográficas e qual a sua importância. As Indicações Geográficas (IG) identificam vinhos originários de uma área geográfica delimitada quando determinada qualidade, reputação ou outra característica são essencialmente atribuídas a essa origem geográfica. Esse modelo é inspirado no padrão francês das AOC (Appellations d’Origine Contrôlée).

No Brasil, existem 2 modalidades de Indicações Geográficas (IG): a Indicação de Procedência (IP) e a Denominação de Origem (DO). IP se aplica às regiões que se tornaram reconhecidas na produção de vinhos, ou seja, obtiveram reputação. É uma área delimitada que pode estabelecer regras quanto ao cultivo e a vinificação. DO vai além da IP, pois se aplica também a uma área geográfica delimitada com regras estabelecidas, mas os vinhos devem comprovadamente apresentar qualidades ou características que se devem essencialmente ao meio geográfico, incluídos os fatores naturais e os fatores humanos, ou seja, o vinho com a marca do lugar, sua singularidade, sua peculiaridade. O vinho apresentará características que só existem ali e portanto, só ficam impressas no vinho lá elaborado com as uvas também cultivadas na região.

Atualmente o Brasil possui 12 IG de Vinhos, 9 no RS, 2 em SC, 1 no PR e 1 no nordeste do país (PE/BA). Temos 10 na modalidade IP e 2 na modalidade DO. Além da novíssima DO Altos de Pinto Bandeira (RS), há a DO Vale dos Vinhedos (RS), IP Pinto Bandeira (RS), IP Monte Belo (RS), IP Altos Montes (RS), IP Farroupilha (RS), IP Campanha Gaúcha (RS), IP Vale da Uva Goethe (SC), IP Vinhos de Altitude de Santa Catarina (SC), IP Vinhos de Biturana (PR) e a IP Vale do São Francisco (PE/BA).

As Indicações Geográficas (IG) mais recentes no Brasil são DO Altos de Pinto Bandeira, somente para espumantes. E a Indicação de Procedência Vale de São Francisco também chamados de vinhos tropicais.

Como profissional atuante do mercado, tendo trabalhado e empreendido em várias empresas do seguimento, posso garantir com toda a precisão, o quanto os vinhos brasileiros melhoraram muito nas últimas décadas. Recomendo você a se permitir a experiência dos vinhos nacionais.

Saúde!

Me chamo Wallace Neves, sou Sommelier, consultor, palestrante e professor da Associação Brasileira de Sommeliers. Com alguns prêmios na carreira, conquistei os títulos de “Campeão Concurso Sommelier Novos Talentos (2011)”, “Sommelier do ano Rio Wine And Food Festival RJ (2016)” ,“Melhor Sommelier do Brasil em Vinhos do Alentejo (2017)”, tornando-se Embaixador dos Vinhos do Alentejo no Brasil e Melhor Sommelier do Brasil 2022.

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