Eu nasci na Fazenda, prazer, Uberlândia

Cidade tem habilidade única de nos fazer sentir em casa

Adalberto Deluca | Fotos Divulgação

Ah, cidades centenárias… Nos fazem nostálgicos porque não vivemos todo esse tempo. Não te carreguei no colo, menina, e você não quer dormir… isso é paródia de letra de uma música popular… Foi escrita pra você, Uberlândia?

Essa cidade tem a habilidade única de nos fazer sentir em casa como se o tempo todo aqui vivíamos ou que daqui não sairíamos. Nascida há 136 anos, bem vividos, digase por sinal, Uberlândia surgiu não como uma metrópole planejada, mas como um modesto povoado que brotava no meio de uma fazenda. Sim, isso mesmo, um lugar onde o gado pastava e os fazendeiros sorriam em suas varandas, orgulhosos destas vastas terras.

De onde vim e para onde vou (original de oncotô, oncovô – diz-se).

Tudo começou com uma fazenda, que devia ser tão grande que podia até ser um estado independente. De Olhos D’Água, Lage, Marimbondo e Tenda com o tempo, um pequeno povoado se formou, atraindo gente de todo canto. Afi nal, onde há terra fértil, há esperança. Inicialmente, Uberlândia foi apenas um distrito de uma cidade vizinha mais conhecida e respeitada, uma espécie de “irmão mais novo” que ninguém leva muito a sério. Mas, Uberlândia tinha planos maiores.

Agronegócio: o pão nosso de cada dia

Desde o princípio, o agronegócio foi o pilar econômico da cidade. Com pastos que pareciam infinitos e uma habilidade especial para a pecuária, Uberlândia logo se destacou. A agricultura e a avicultura também entraram no jogo, transformando a região em um verdadeiro celeiro de prosperidade.

– Seria tu a mãe do agro brasileiro, bela senhora?

E não temos como saber se havia aqui algum festival anual de colheita, onde até o prefeito pode ter se aventurado a dançar arrasta-pé (um espetáculo que, felizmente, se ocorreu não ficou registrado para a posteridade). Seu divisor de águas comparando com irmãs mais velhas espalhadas por toda Minas foi ser o centro de um grande eixo rodoferroviário. Imagine a cena: de um lado, o gado pastando pacificamente; do outro, locomotivas e caminhões trazendo gente de todas as partes. A cidade virou um verdadeiro caldeirão cultural. Essa mistura de tradições e novidades impulsionou Uberlândia a se reinventar várias vezes, como um camaleão que troca de cor conforme a necessidade.

Do agronegócio ao setor de serviços

Com o crescimento populacional e a diversidade cultural, a economia de Uberlândia passou por uma metamorfose. O setor de serviços começou a ganhar destaque e hoje é o carro-chefe do Produto Interno Bruto local. Sim, meus caros, hoje em dia, Uberlândia tem mais escritórios de contabilidade do que pastos para o gado. Mas não se enganem, o agronegócio continua firme e forte, afinal, tradição é tradição. E tradição lucrativa e transformadora a gente perpetua. E se o agro agora é tech de tanto semear, não é que Uberlândia aprendeu a exportar semente? Multinacionais trocam cotoveladas por aqui em busca de seus espaços para desenvolver, multiplicar e enviar sementes made-in-Udi para muitos colherem suas riquezas Brasil a fora.

Ovos e galinhas: o milagre da multiplicação – de riquezas

Para mostrar-nos que agronegócio aqui é mato (expressãozinha meio popular, mas vá lá!) quem diria, até uma indústria de ovos e galinhas mostraria o poder de multiplicação da economia local? Sim, e isso é muito importante! Uberlândia se tornou um ícone na produção avícola, com galinhas botando ovos como se não houvesse amanhã! Uma fábrica de ovos, pintinhos e galinhas que mais parecia uma linha de produção de sonhos. Essa indústria não só contribuiu para a economia como também incentivou o crescimento populacional, afinal, quem resiste a uma boa omelete no café da manhã, um frango assado no almoço e um galinheiro no quintal produzindo riqueza?

A bacia leiteira: pioneirismo e industrialização

Não há como esquecer da bacia leiteira de Uberlândia, grande produtora e pioneira na industrialização dos derivados do leite. As vacas da região se tornaram verdadeiras celebridades locais, com suas produções de leite abastecendo não só a cidade, mas também regiões vizinhas. A industrialização desse leite trouxe fábricas de laticínios e empregos, consolidando ainda mais a importância do agronegócio na economia da cidade.

Vocação imobiliária: horizonte a perder de vista

Uberlândia também descobriu uma vocação para o mercado imobiliário. Com uma área urbana que se expandia a olhos vistos, o município foi dotado de uma infraestrutura robusta e moderna. Novos bairros surgiram, condomínios de luxo foram construídos e até mesmo aquele tio que só pensava em plantar milho começou a investir em imóveis. A cidade se tornou um exemplo de crescimento urbano, mostrando que, além de arar a terra, seus moradores sabem muito bem como construir um futuro promissor.

Inovação e pioneirismo

Se há algo que Uberlândia pode se gabar, é seu pioneirismo na comunicação telefônica. Em uma época em que gritar de uma colina para outra era a forma mais rápida de enviar uma mensagem, a cidade resolveu inovar. Se os primeiros telefones mais pareciam duas latas conectadas por um barbante, logo deram lugar a linhas telefônicas que colocaram Uberlândia no mapa da modernidade. Até um polo de call-centers passou a exibir para todo o mundo! Assim, a agropecuária local fala para os quatro cantos, de fazenda em fazenda, de curral em curral. Por causa disso, dizem até que a fofoca eletrônica – hoje conhecida como redes sociais – também foi inventada aqui. Só dizem, sei lá.

Atacado distribuidor e indústria de transformação

Se o agro brasileiro vive a dar saltos de produção aqui a questão deve ter pulado de bar em bar, restaurante a restaurante: – Por que produzir tanto sem distribuir? Daí nasceu seu outro ponto forte, o atacado distribuidor. Dizem que um dos pioneiros também veio lá da fazenda. Dizem, sei lá. E Uberlândia se tornou um hub de distribuição, com armazéns gigantescos e uma logística que deixaria qualquer multinacional com inveja. Se se produzia, tinha logística invejável e sabia distribuir, por que Uberlândia não se destacaria na indústria de transformação? Pois sim, ela nasceu e também cresceu, e isso também está na conta da cadeia do agronegócio, que fornecia matéria-prima de qualidade para a produção local.

Vocação universitária: educação e desenvolvimento

Ah, mas a cidade se destacou por sua vocação universitária. Sim, não podemos deixar de lembrar essa vocação de Uberlândia. A cidade abriga uma importante universidade federal, conhecida pela excelência acadêmica e pela pesquisa inovadora, além de várias instituições particulares de grande porte. Tantas faculdades não só atraem estudantes de todo o país, mas também impulsionam a economia local e promovem o desenvolvimento tecnológico e social da região. Com uma comunidade acadêmica vibrante, Uberlândia se tornou um polo de conhecimento e inovação. E onde está o agronegócio nisso? Além de, hoje, ser um já promissor hub de desenvolvimento tecnológico podemos conferir, dando uma volta pelos campus, bares e baladas – ninguém é de ferro, né? – quantos cidadãos e empresários do agro regional e até nacional são atraídos para cá. E enfeitiçados não vão embora, dizem. Só ouvi dizer, sei de nada.

Uma cidade em que se plantando, tudo… se colhe

Hoje, Uberlândia é um exemplo de como uma cidade pode se transformar sem perder suas raízes. Com um setor de serviços robusto, um agronegócio pujante, uma forte vocação universitária e já consolidando sua nova vocação para a tecnologia de ponta a cidade continua atraindo pessoas e muitos investimentos – até porque, alguns curiosos e todo forasteiro por aqui fica e transfere o título de eleitor. E quem diria que aquele pequeno povoado no meio de uma fazenda se tornaria um polo econômico tão diversificado?

Então, ao celebrar mais de um século de história, Uberlândia nos lembra que o passado é importante, mas é o futuro que nos impulsiona. E se há algo que podemos aprender com essa cidade é que, às vezes, o caminho para o sucesso passa por um pasto, uma estrada de ferro, uma linha telefônica e embalado por ovos e chocadeiras. E também que essa história de sucesso pode ser contada por meio de alta tecnologia.

Tem gente por toda a parte, no país inteiro que sempre pergunta por essa cidade que fica marcada para quem a conhece. Só há confusão com tipos de gado, cujo chifre aqui não é o principal produto, ou qual atacadista é maior ou ainda se é verdade que, com seus mais de setecentos mil ilustres convivas, é mesmo a segunda maior cidade das gerais, e que às vezes – nem sempre, está bem? – faz a prosa esticar demais. Pois é, demais! Mas, quem conhece Minas Gerais, além de não esquecer jamais, também aprende que prosa e pão de queijo é coisa boa!!! Ultimamente ainda ficam com a dúvida se aqui é mesmo a cidade da Uber. Vá lá! Isso é pergunta que se faça? Somente perguntam, não posso dizer mais nada.

Parabéns, Uberlândia, pelos seus 136 anos. Essa história não foi feita para terminar!

Adalberto Deluca é consultor empresarial com foco em Gestão para Resultados.

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