{"id":12581,"date":"2025-12-08T08:57:28","date_gmt":"2025-12-08T11:57:28","guid":{"rendered":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/?p=12581"},"modified":"2025-12-08T08:57:52","modified_gmt":"2025-12-08T11:57:52","slug":"conectados-a-era-da-extincao-da-criatividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/2025\/12\/08\/conectados-a-era-da-extincao-da-criatividade\/","title":{"rendered":"Conectados &#8211; A era da extin\u00e7\u00e3o da criatividade"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Leo Chaves | Fotos Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GUH00116-2-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12081\" srcset=\"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GUH00116-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GUH00116-2-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GUH00116-2-768x1152.jpg 768w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GUH00116-2-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GUH00116-2-1366x2048.jpg 1366w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GUH00116-2-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Vivemos uma era paradoxal: nunca estivemos t\u00e3o conectados e, ao mesmo tempo, t\u00e3o desconectados de n\u00f3s mesmos. O mundo oferece infinitas possibilidades de express\u00e3o, mas a maioria das vozes se repete. A criatividade, essa for\u00e7a vital que nasce do espanto e da curiosidade, parece ter se tornado uma esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o.<br>Os jovens de hoje, e n\u00f3s tamb\u00e9m, adultos anestesiados pela rotina, estamos perdendo a capacidade de criar hist\u00f3rias pr\u00f3prias. Falta o exerc\u00edcio do pensamento criativo, aquele que se alimenta do t\u00e9dio, da solid\u00e3o, da observa\u00e7\u00e3o atenta. Criar exige pausa, exige erro, exige profundidade. E profundidade n\u00e3o cabe em quinze segundos.<br>Tudo o que se deseja agora \u00e9<br>&#8220;viralizar&#8221;. \u00c9 ser notado, ainda que superficialmente. Mas, ironicamente, esse desejo de visibilidade vem acompanhado de uma estranha covardia: a de n\u00e3o se expor de verdade.<br>As pessoas criam personagens, vers\u00f5es editadas e filtradas de si mesmas, enquanto o &#8220;eu&#8221; aut\u00eantico vai ficando escondido, como se a verdade fosse perigosa demais para caber em um post.<\/p>\n\n\n\n<p>Nietzsche dizia que &#8220;a arte existe para que a verdade n\u00e3o nos destrua&#8221;.<br>E talvez seja justamente essa a fun\u00e7\u00e3o da criatividade: transformar a realidade bruta em beleza, em reflex\u00e3o, em express\u00e3o. Mas como criar arte, ou qualquer forma de pensamento original, quando o olhar est\u00e1 sempre voltado para fora, para a tela, para o outro, para o julgamento?<br>A leitura me ensina o contr\u00e1rio. Quando estou perceptivo, treino a leitura. Leio para despertar, para exercitar a presen\u00e7a. Diferente dos v\u00eddeos curtos que apenas capturam a aten\u00e7\u00e3o, o livro devolve sil\u00eancio. Ele convida o leitor a pensar, a imaginar, a questionar. Cada p\u00e1gina lida \u00e9 um mergulho dentro de si, e \u00e9 desse mergulho que nasce a verdadeira criatividade.<br>A leitura \u00e9 o ant\u00eddoto contra a superficialidade. Ela nos devolve repert\u00f3rio, vocabul\u00e1rio e alma. Porque quem l\u00ea aprende a olhar o mundo com outros olhos, e quem observa profundamente, cria.<br>E h\u00e1 tamb\u00e9m a escrita, companheira insepar\u00e1vel da leitura.<br>Escrever n\u00e3o \u00e9 apenas expressar; \u00e9 consolidar. Pesquisas mostram que o ato de escrever \u00e0 m\u00e3o fortalece a mem\u00f3ria e a compreens\u00e3o: ao engajar o sistema motor fino, a vis\u00e3o e os mecanismos sensoriais, cria-se uma ativa\u00e7\u00e3o neural mais rica do que ao digitar. Um estudo publicado pelo peri\u00f3dico Frontiers in Psychology (2023) revelou que a conectividade cerebral \u00e9 mais ampla durante a escrita manual do que na digita\u00e7\u00e3o. A escrita exige ritmo, rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com as ideias, fortalecendo significativamente os processos de memoriza\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o.<br>Assim, leitura e escrita se tornam dois gestos essenciais no cultivo da criatividade: um para absorver o mundo, outro para transform\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja em criar mais conte\u00fado, mas em criar mais sentido. Em um mundo que premia o instant\u00e2neo, a criatividade ser\u00e1 o \u00faltimo ref\u00fagio dos que ainda ousam pensar. Que possamos aprender a silenciar o ru\u00eddo das redes, recuperar o prazer da frase lenta, redescobrir a mem\u00f3ria do gesto, visualizar aquilo que n\u00e3o se v\u00ea no medidor de curtidas. E, quem sabe, reencontrar nosso eu, o \u00fanico que verdadeiramente vale a pena expor.<\/p>\n\n\n\n<p>Leo Chaves \u00e9 cantor, escritor, palestrante e empres\u00e1rio.<br>@leochaves<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-post-featured-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1276\" height=\"1014\" src=\"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-Tela-2025-12-08-as-8.39.28-AM.png\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image\" alt=\"\" style=\"object-fit:cover;\" srcset=\"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-Tela-2025-12-08-as-8.39.28-AM.png 1276w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-Tela-2025-12-08-as-8.39.28-AM-300x238.png 300w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-Tela-2025-12-08-as-8.39.28-AM-1024x814.png 1024w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-Tela-2025-12-08-as-8.39.28-AM-768x610.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1276px) 100vw, 1276px\" \/><\/figure>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leo Chaves | Fotos Divulga\u00e7\u00e3o Vivemos uma era paradoxal: nunca estivemos t\u00e3o conectados e, ao mesmo tempo, t\u00e3o desconectados de n\u00f3s mesmos. 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