{"id":12785,"date":"2026-01-13T15:00:49","date_gmt":"2026-01-13T18:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/?p=12785"},"modified":"2026-01-16T14:24:58","modified_gmt":"2026-01-16T17:24:58","slug":"quanto-risco-quanta-alegria-muitos-hectares-sem-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/2026\/01\/13\/quanto-risco-quanta-alegria-muitos-hectares-sem-acao\/","title":{"rendered":"Quanto risco, quanta alegria, muitos hectares sem a\u00e7\u00e3o\u2026"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Adalberto Deluca | Fotos Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma valsa carnavalesca. \u00c9 uma epopeia de d\u00favidas e riscos.<br>N\u00e3o \u00e9 um conto de fadas. \u00c9 manchete para uma tragicom\u00e9dia.<br>N\u00e3o \u00e9 uma \u00f3pera bufa. \u00c9 um roteiro de a\u00e7\u00e3o e final incerto.<br>Mas algu\u00e9m tem de falar disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a semente e a colheita: um mar de incertezas<\/p>\n\n\n\n<p>A comida est\u00e1 na mesa. Sim, hoje est\u00e1. Mas pare por um momento e pense: quanto disso chegou at\u00e9 voc\u00ea sem que algu\u00e9m, em algum lugar, tivesse que fazer uma escolha imposs\u00edvel? Sem que precisasse apostar tudo em um lance de dados?<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, aqui no Brasil, quem cultiva a terra n\u00e3o est\u00e1 jogando em um cassino. Est\u00e1 em algo bem pior: est\u00e1 navegando em um furac\u00e3o sem b\u00fassola, sem radar, sem nada que garanta que chegar\u00e1 ao porto. A agricultura brasileira, que alimenta n\u00e3o apenas nosso povo, mas boa parte do mundo, est\u00e1 enfrentando um momento que vai al\u00e9m da crise. \u00c9 uma metamorfose completa, uma reescrita das regras do jogo.<br>N\u00e3o se trata de dramatiza\u00e7\u00e3o. Trata-se de verdade crua: h\u00e1 comida nas prateleiras, mas h\u00e1 incerteza nos campos. E isso, \u00e9 um alerta para a na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-post-featured-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1348\" height=\"970\" src=\"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-Tela-2026-01-13-as-2.50.47-PM.png\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image\" alt=\"\" style=\"object-fit:cover;\" srcset=\"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-Tela-2026-01-13-as-2.50.47-PM.png 1348w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-Tela-2026-01-13-as-2.50.47-PM-300x216.png 300w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-Tela-2026-01-13-as-2.50.47-PM-1024x737.png 1024w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Captura-de-Tela-2026-01-13-as-2.50.47-PM-768x553.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1348px) 100vw, 1348px\" \/><\/figure>\n\n\n<p>Capital escasso: o talento que falta<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar pelo \u00f3bvio que ningu\u00e9m quer admitir: n\u00e3o h\u00e1 dinheiro. Ou melhor, h\u00e1. Est\u00e1 l\u00e1 nos bancos, nos fundos de investimento, mas chegar at\u00e9 o agricultor? A\u00ed \u00e9 outra hist\u00f3ria para n\u00e3o contarmos sob o risco de perder o apetite.<\/p>\n\n\n\n<p>O planejamento financeiro de um produtor rural virou uma gin\u00e1stica mental digna de olimp\u00edada. Precisa investir em m\u00e1quinas? Pois bem, o cr\u00e9dito est\u00e1 ali, pronto para ser emprestado. Mas a que custo? Juros que beiram o confisco. N\u00e3o se trata de exagero. Quando voc\u00ea pega dinheiro emprestado a uma taxa que faz seu custo de produ\u00e7\u00e3o explodir, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 tomando cr\u00e9dito. Voc\u00ea est\u00e1 assinando um contrato de frustra\u00e7\u00e3o.<br>O problema \u00e9 que sem esse capital, n\u00e3o h\u00e1 como iniciar a safra. \u00c9 como pedir a algu\u00e9m para cozinhar sem ingredientes e depois reclamar se a comida n\u00e3o fica boa. Os agricultores est\u00e3o presos em um ciclo: precisam gastar para ganhar, mas ganham cada vez menos. E a\u00ed? Recorrem aos bancos. E os bancos? Bem, eles cobram pelo \u201crisco\u201d.<br>A verdade inc\u00f4moda \u00e9 que o risco real n\u00e3o est\u00e1 apenas no produtor. Est\u00e1 no sistema todo. Quando os juros sobre o planejamento agr\u00edcola ficam t\u00e3o altos, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 financiando a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Est\u00e1 financiando a inseguran\u00e7a alimentar do pa\u00eds e de pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Tributa\u00e7\u00e3o: uma reforma sem papel<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea acha que a situa\u00e7\u00e3o no campo \u00e9 complicada, espere at\u00e9 falar de impostos. Aqui a gente n\u00e3o fala em crise tribut\u00e1ria. A gente fala em reforma tribut\u00e1ria. Mas reforma para qu\u00ea? Para ficar mais caro? Porque \u00e9 isso que est\u00e1 acontecendo.<br>O planejamento tribut\u00e1rio na agricultura \u00e9 como tentar jogar xadrez enquanto algu\u00e9m muda as regras a cada lance. Normalmente, o produtor rural tem certas vantagens fiscais. Mas com as mudan\u00e7as em andamento, essas vantagens est\u00e3o desaparecendo mais r\u00e1pido do que voc\u00ea consegue dizer \u201cal\u00edquota diferenciada\u201d.<br>A ironia? Enquanto a gente debate em Bras\u00edlia sobre como reformar a tributa\u00e7\u00e3o, o agricultor segue com a enxada na m\u00e3o, tentando entender qual ser\u00e1 sua carga tribut\u00e1ria no pr\u00f3ximo trimestre. \u00c9 como estar em um navio durante uma tempestade enquanto a tripula\u00e7\u00e3o discute se a b\u00fassola deveria estar mais para a esquerda ou para a direita.<br>As mudan\u00e7as tribut\u00e1rias em curso n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de n\u00fameros. \u00c9 uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a. O produtor precisa saber, com alguma clareza, quanto vai contribuir para o Estado. Sem isso, ele n\u00e3o consegue fazer um planejamento eficiente. E sem um planejamento eficiente, ele n\u00e3o consegue competir. E sem competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, o mercado inteiro sofre.<\/p>\n\n\n\n<p>Tecnologia: o raio de luz no fim do t\u00fanel<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, em meio a todo esse caos, h\u00e1 algo que funciona. H\u00e1 algo que est\u00e1 mudando a conversa l\u00e1 no campo. Chama-se inova\u00e7\u00e3o.<br>Se pensar bem, a tecnologia \u00e9 o \u00fanico fator em que a agricultura brasileira realmente se destaca. M\u00e1quinas cada vez mais precisas, insumos cada vez mais eficientes, sistemas de gest\u00e3o que transformam dados brutos em decis\u00f5es inteligentes. Isso n\u00e3o \u00e9 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Isso est\u00e1 acontecendo, agora.<br>A efici\u00eancia que a tecnologia traz \u00e9 real. Um agricultor que usa sistemas de intelig\u00eancia artificial para monitorar a umidade do solo, a sa\u00fade das plantas e os padr\u00f5es clim\u00e1ticos consegue tomar decis\u00f5es melhores. Consegue economizar \u00e1gua, economizar insumos, aumentar a produtividade. Consegue transformar um campo an\u00e1rquico em uma opera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica.<br>Mas aqui est\u00e1 o detalhe que machuca: toda essa inova\u00e7\u00e3o custa caro. Muito caro. E como vimos, capital escasso e juros elevados n\u00e3o combinam bem com investimentos tecnol\u00f3gicos. \u00c9 como oferecer um Ferrari a algu\u00e9m que n\u00e3o consegue pagar a gasolina.<br>Ainda assim, a inova\u00e7\u00e3o continua avan\u00e7ando. Porque os produtores sabem que \u00e9 ali que est\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 na lamenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 na estagna\u00e7\u00e3o. \u00c9 na coragem de adotar novas formas de trabalhar, novos equipamentos, novas estrat\u00e9gias. \u00c9 na capacidade de fazer mais com menos.<\/p>\n\n\n\n<p>Clima: o fator que ningu\u00e9m controla<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 algo que iguala todos os agricultores do Brasil, ricos ou pobres, grandes ou pequenos, \u00e9 isto: ningu\u00e9m controla o clima. E ultimamente, o clima est\u00e1 bem indisciplinado.<br>Os riscos clim\u00e1ticos n\u00e3o s\u00e3o mais uma possibilidade remota. S\u00e3o a realidade di\u00e1ria. Voc\u00ea planta esperando chuva e vem seca. Voc\u00ea prepara tudo para colher com sol e vem enchente. \u00c9 como jogar um jogo em que as regras mudam a cada rodada e ningu\u00e9m avisa.<br>O impacto disso no planejamento agr\u00edcola \u00e9 devastador. Como voc\u00ea faz previs\u00f5es quando as vari\u00e1veis est\u00e3o mudando t\u00e3o rapidamente? Como voc\u00ea investe em uma safra sabendo que uma geada fora de \u00e9poca pode destruir tudo? Esses s\u00e3o os riscos reais que o agricultor enfrenta todos os dias.<br>E aqui est\u00e1 a quest\u00e3o que ningu\u00e9m consegue responder com precis\u00e3o: os riscos clim\u00e1ticos est\u00e3o aumentando? Sim. Est\u00e3o sendo causados apenas por fatores naturais? N\u00e3o sei. Est\u00e3o fora do controle do produtor? Absolutamente. Ent\u00e3o o que fazer?<br>A resposta, por enquanto, \u00e9 adapta\u00e7\u00e3o. Escolher culturas mais resistentes. Investir em sistemas de irriga\u00e7\u00e3o. Diversificar. Mas tudo isso custa dinheiro. E dinheiro, como j\u00e1 estabelecemos, \u00e9 o que menos h\u00e1 no campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pre\u00e7os: a montanha-russa das commodities<\/p>\n\n\n\n<p>Deixe-me contar uma hist\u00f3ria que resume bem o dilema. Um produtor planta soja h\u00e1 vinte anos. Nos \u00faltimos dez, ele viu o pre\u00e7o subir, descer, explodir, despencar. Viu o d\u00f3lar variar, o mercado internacional flutuar, as geadas destru\u00edrem safras inteiras. E sabe qual foi a constante? A d\u00favida.<br>A efici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o melhorou. Os desafios para a agricultura aumentaram. E os pre\u00e7os? Bem, os pre\u00e7os continuam sendo a montanha-russa que ningu\u00e9m consegue prever.<br>A volatilidade das commodities \u00e9 como tentar acertar uma fechadura enquanto ela n\u00e3o para de se mover. O produtor investe baseado em uma proje\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o. Mas quando a colheita chega, o pre\u00e7o j\u00e1 est\u00e1 diferente. Pode estar melhor (a\u00ed tudo mundo fica feliz por alguns meses). Pode estar pior (a\u00ed entra em p\u00e2nico).<br>E o pior? O pior \u00e9 quando o pre\u00e7o est\u00e1 t\u00e3o baixo que n\u00e3o cobre nem o custo de produ\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea colhe e vende e no final descobre que perdeu dinheiro. Que gastou mais para produzir do que ganhou vendendo.<br>Isso n\u00e3o \u00e9 raro. Isso \u00e9 tend\u00eancia. Nos \u00faltimos anos, vimos safras inteiras sendo colhidas com preju\u00edzo. Arroz, milho, soja. A volatilidade dos pre\u00e7os das commodities transformou a agricultura em um jogo de azar onde as odds est\u00e3o sempre contra voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos hectares, pouca a\u00e7\u00e3o: o futuro \u00e9 uma incerteza<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o aqui estamos. Muitos hectares, muita gente trabalhando, muito potencial. Mas pouca a\u00e7\u00e3o. Por qu\u00ea? Porque a indecis\u00e3o \u00e9 paralisa quando voc\u00ea est\u00e1 cercado de incerteza.<br>O agricultor olha para a fazenda e v\u00ea oportunidades. V\u00ea possibilidades de crescimento, de inova\u00e7\u00e3o, de transforma\u00e7\u00e3o. Mas olha para o cen\u00e1rio e v\u00ea obst\u00e1culos. V\u00ea capital caro, impostos em mudan\u00e7a, clima imprevis\u00edvel, pre\u00e7os flutuantes. E a\u00ed ele faz o que qualquer pessoa sensata faria: ele congela.<br>N\u00e3o \u00e9 pregui\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 falta de vontade. \u00c9 que quando voc\u00ea est\u00e1 em um navio durante uma tempestade, \u00e0s vezes a melhor a\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o se mexer. \u00c9 esperar a tempestade passar. \u00c9 tentar n\u00e3o cair de bordo.<br>Mas aqui est\u00e1 o problema: a tempestade n\u00e3o est\u00e1 passando. Ela est\u00e1 mudando de forma, mas n\u00e3o est\u00e1 passando. Ent\u00e3o em algum momento, o agricultor vai precisar tomar uma decis\u00e3o: fica parado esperando ou navega mesmo com a tempestade?<br>A agricultura brasileira n\u00e3o est\u00e1 acabada. Est\u00e1 em transforma\u00e7\u00e3o. Profunda, desconfort\u00e1vel, assustadora, mas transforma\u00e7\u00e3o. E transforma\u00e7\u00e3o sempre d\u00f3i. Sempre gera incerteza. E gera oportunidades para quem tem coragem de v\u00ea-las.<br>Os desafios para a agricultura s\u00e3o reais. S\u00e3o enormes. Mas s\u00e3o super\u00e1veis. N\u00e3o com solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas. Com planejamento inteligente, com inova\u00e7\u00e3o constante, com adapta\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e com a coragem de continuar apostando em um setor que, sim, est\u00e1 em crise, mas que \u00e9 essencial para a na\u00e7\u00e3o.<br>A comida continua na mesa. E para que continue chegando, precisamos que o agricultor tenha capital, que as regras tribut\u00e1rias fa\u00e7am sentido, que a tecnologia continue avan\u00e7ando, que ele consiga lidar com o clima imposs\u00edvel e que os pre\u00e7os fa\u00e7am algum sentido.<br>Precisamos, enfim, que ele saiba que h\u00e1 algu\u00e9m vendo aquele mar de incertezas e entendendo que por tr\u00e1s de cada gr\u00e3o produzido h\u00e1 uma hist\u00f3ria de coragem, de efici\u00eancia, de luta contra os riscos e de esperan\u00e7a renovada a cada safra.<\/p>\n\n\n\n<p>O encerramento da jornada: quando tudo se conecta<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, na mesa da sua casa, est\u00e1 o resultado dessa jornada \u00e9pica. Um arroz branquinho. Uma ma\u00e7\u00e3 vermelha. Um feij\u00e3o bem cozido. Parece simples. Mas cada um desses alimentos passou por pelo menos onze etapas repletas de riscos, desafios para a agricultura, de decis\u00f5es que podiam dar errado em qualquer momento.<br>E se voc\u00ea pensava que agricultor era simplesmente algu\u00e9m que planta e colhe, agora sabe que n\u00e3o. Agricultores s\u00e3o engenheiros de risco. S\u00e3o tomadores de decis\u00e3o sob incerteza. S\u00e3o guerreiros que enfrentam chuva, pragas, doen\u00e7as, flutua\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, juros altos, impostos injustos, falta de capital, falta de assist\u00eancia t\u00e9cnica.<br>Voc\u00ea, segurando aquele arroz no prato, est\u00e1 segurando o resultado de 6 meses de trabalho de algu\u00e9m que n\u00e3o sabe se vai quebrar ou continuar para a pr\u00f3xima safra. Est\u00e1 segurando comida que quase n\u00e3o chegou at\u00e9 voc\u00ea porque m\u00e1quina quebrou, ou porque chuva caiu no pior momento, ou porque praga invadiu a lavoura, ou porque pre\u00e7o desabou no mercado.<br>A comida n\u00e3o est\u00e1 na mesa por acaso. Est\u00e1 l\u00e1 porque algu\u00e9m, em algum lugar, assumiu riscos enormes. Porque algu\u00e9m teve planejamento adequado, ou teve sorte, ou ambos. Porque algu\u00e9m usa inova\u00e7\u00e3o constante, procurando fazer melhor a cada safra.<br>Ent\u00e3o da pr\u00f3xima vez que voc\u00ea se reclamar que comida est\u00e1 cara, ou que desapareceu da prateleira, lembre-se dessa jornada. Lembre-se que h\u00e1 um agricultor l\u00e1 atr\u00e1s, enfrentando clima, mercado, sistema financeiro adverso, tudo isso para que voc\u00ea tenha comida no prato.<br>A agricultura brasileira n\u00e3o est\u00e1 acabada. Est\u00e1 em transforma\u00e7\u00e3o. E essa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, desconfort\u00e1vel, assustadora. Mas \u00e9 real. E o agricultor continua plantando, colhendo, armazenando, vendendo. Continua apostando em um setor que o aterroriza, que o desafia, que o faz rever suas convic\u00e7\u00f5es todo dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas pense nisso: A comida n\u00e3o \u00e9 cara e sabe por que?<br>Porque algu\u00e9m, em algum lugar, estava colhendo preju\u00edzo. Estava dormindo poucas horas por noite. Estava pedindo dinheiro emprestado a 18% ao ano. Estava rezando para que chovesse. Estava enfrentando pragas que resistem a defensivo. Estava vendo pre\u00e7o cair quando precisava subir.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui, as verdades que ningu\u00e9m quer ouvir<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea come porque algu\u00e9m est\u00e1 disposto a quebrar financeiramente para isso acontecer.<br>Voc\u00ea come porque algu\u00e9m sacrifica noites de sono.<br>Voc\u00ea come porque algu\u00e9m enfrenta clima que n\u00e3o controla, mercado que n\u00e3o entende, banco que cobra caro, governo que n\u00e3o ajuda.<br>Voc\u00ea come porque algu\u00e9m&nbsp;acredita que ainda vale a pena.<br>E sabe qual \u00e9 a parte mais assustadora?&nbsp;Esse algu\u00e9m est\u00e1 pensando em desistir.<br>Porque cansou. Porque n\u00e3o aguenta mais risco. Porque juros est\u00e3o altos demais. Porque pre\u00e7o est\u00e1 baixo demais. Porque governo muda a tributa\u00e7\u00e3o todo m\u00eas. Porque clima est\u00e1 cada vez mais louco. Porque praga est\u00e1 cada vez mais resistente.<br>Se esse algu\u00e9m desistir, voc\u00ea fica sem comida. E n\u00e3o \u00e9 uma piada.&nbsp;\u00c9 a realidade que est\u00e1 acontecendo agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, ainda restam boas not\u00edcias<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todos esses riscos, desafios para a agricultura e incertezas que mapeamos ao longo dessa jornada, h\u00e1 algo que ningu\u00e9m consegue tirar do agricultor: a resili\u00eancia. A capacidade de olhar para uma tempestade e pensar \u201cok, como navego isso?\u201d. N\u00e3o \u00e9 f\u00e9 cega. \u00c9 experi\u00eancia acumulada. \u00c9 conhecimento. \u00c9 adapta\u00e7\u00e3o.<br>O agricultor brasileiro tem se reinventado constantemente. Onde havia problema, encontrou inova\u00e7\u00e3o. Onde havia falta de capital, buscou cooperativismo. Onde havia risco clim\u00e1tico, desenvolveu variedades mais resistentes. Onde havia praga, desenvolveu manejo integrado. Onde havia solo ruim, usou tecnologia de precis\u00e3o.<br>Isso significa que, sim, h\u00e1 enormes desafios para a agricultura nesse momento. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m, em cada desafio, uma oportunidade de fazer algo melhor do que era feito antes. E agricultores enxergam oportunidades. \u00c9 isso que os mant\u00e9m acordados \u00e0 noite \u2014 n\u00e3o o medo de fracassar, mas a esperan\u00e7a de acertar.<br>Ent\u00e3o quando voc\u00ea comer seu alimento da pr\u00f3xima vez, saiba que est\u00e1 comendo esperan\u00e7a. Est\u00e1 comendo coragem. Est\u00e1 comendo a capacidade humana de enfrentar o inimagin\u00e1vel e transform\u00e1-lo em comida que alimenta na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto voc\u00ea dorme, o agricultor planta esperan\u00e7a. Enquanto voc\u00ea come, ele enfrenta imprevisibilidades. Enquanto voc\u00ea reclama, ele acredita que vale a pena. Porque sem voc\u00ea, ele n\u00e3o consegue. E sem ele, voc\u00ea n\u00e3o come.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adalberto Deluca \u00e9 consultor de empresas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adalberto Deluca | Fotos Divulga\u00e7\u00e3o N\u00e3o \u00e9 uma valsa carnavalesca. \u00c9 uma epopeia de d\u00favidas e riscos.N\u00e3o \u00e9 um conto de fadas. \u00c9 manchete para uma tragicom\u00e9dia.N\u00e3o \u00e9 uma \u00f3pera<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12786,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[18,858,859],"class_list":["post-12785","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-imoveis","tag-risco","tag-tributacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12785"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12785\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12787,"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12785\/revisions\/12787"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12786"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}