{"id":5580,"date":"2022-11-21T14:24:00","date_gmt":"2022-11-21T17:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/?p=5580"},"modified":"2024-12-18T14:25:10","modified_gmt":"2024-12-18T17:25:10","slug":"codigos-baseados-na-forma-form-based-codes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/2022\/11\/21\/codigos-baseados-na-forma-form-based-codes\/","title":{"rendered":"C\u00f3digos baseados na forma (Form-Based Codes)"},"content":{"rendered":"\n<p id=\"viewer-foo\"><em>Conectando o mercado e o urbanismo de qualidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2k6al\">Por Franco Cristiano Alves | G\u00e9ssica Alves<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-88n4\">Fotos Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5ouur\">O urbanismo convencional, aqui se referindo \u00e0que\u0002le derivado do modernismo, produziu cidades com espa\u00e7os conceitualmente conflitantes e poten\u0002cialmente lesivos a vida em comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8e4fn\">Especial\u0002mente baseado em um modelo desenvolvimentista americano, a produ\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o no Brasil, por exemplo, acabou por privilegiar os espa\u00e7os para os carros e desprestigiar oportunidades de conviv\u00eancia entre as pessoas, muitas vezes construindo perife\u0002rias desordenadas, degrada\u00e7\u00e3o ambiental, a partir de uma vis\u00e3o simplista e equivocada que colocou o mercado imobili\u00e1rio e o urbanismo de qualidade em lados antag\u00f4nicos. <em>( G\u00e9ssica Alves )<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8nlqr\">Contexto que a bem da verdade, ao final, acabou por produzir insatisfa\u00e7\u00f5es genera\u0002lizadas, seja pelos moradores das regi\u00f5es lim\u00edtrofes das cidades, seja pelos moradores das regi\u00f5es mais centralizadas. H\u00e1 muitas raz\u00f5es para essa insatis\u0002fa\u00e7\u00e3o com o aspecto f\u00edsico de muitas de nossas cidades, mas merece destaque a perda da qualida\u0002de dos espa\u00e7os p\u00fablicos, destinados ao conv\u00edvio em comunidade. Os m\u00e9todos convencionais de zone\u0002amento, que se concentram nos usos permitidos, acabaram por moldar a forma do ambiente cons\u0002tru\u00eddo de maneiras n\u00e3o intencionais e muitas vezes indesejadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"375\" src=\"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cf07ad_23b4e98f52724d6bbc550b0f245cb485mv2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5582\" srcset=\"https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cf07ad_23b4e98f52724d6bbc550b0f245cb485mv2.jpg 740w, https:\/\/revistahubclub.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/cf07ad_23b4e98f52724d6bbc550b0f245cb485mv2-300x152.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fbulh\">Os m\u00e9todos convencionais de zoneamento em uma perspectiva hist\u00f3rica, surgiram da necessidade de proteger a sa\u00fade, de criar seguran\u00e7a e bem-estar p\u00fablico, evitando os impactos mais negativos de uma localidade. Limitar a exposi\u00e7\u00e3o das pessoas a poluentes espec\u00edficos, afastar riscos decorrentes da propaga\u00e7\u00e3o do fogo entre pr\u00e9dios comerciais, ind\u00fas\u0002trias e resid\u00eancias, s\u00e3o apenas alguns dos objetivos valiosos que o zoneamento convencional pretendeu cumprir ao longo do tempo. Proteger os valores da<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3fbrc\">propriedade separando usos incompat\u00edveis em uma determinada regi\u00e3o da cidade, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de zoneamentos com uso limitado, separaram os diferentes usos do solo, como residencial e comercial, criando uma percep\u00e7\u00e3o a princ\u00edpio mais clara de va\u0002lor imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-d4e0f\">Como resultado do modelo convencio\u0002nal e desta vis\u00e3o imobili\u00e1ria, as cidades se tornaram cada vez mais fragmentadas, criando regi\u00f5es indus\u0002triais, regi\u00f5es comerciais, regi\u00f5es residenciais perif\u00e9\u0002ricas e regi\u00f5es resid\u00eancias nobres, em claro desfa\u0002vorecimento dos espa\u00e7os p\u00fablicos de qualidade. No modelo atual, o espraiamento das cidades acabou por criar um transporte p\u00fablico ineficiente aos usu\u0002\u00e1rios. Degradou cegamente o meio ambiente natural afetando o microclima das cidades, atingindo a to\u0002dos indistintamente com perda da qualidade de vida, a exemplo de crises h\u00eddricas e invers\u00f5es t\u00e9rmicas. H\u00e1 registro de cidades que sofreram aumento de sua temperatura m\u00e9dia em at\u00e9 6\u00baC, em raz\u00e3o da substi\u0002tui\u00e7\u00e3o excessiva da vegeta\u00e7\u00e3o nativa por estruturas de concreto e asfalto.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-cjgl\">Alternativa ao modelo atual fundado em zoneamento est\u00e1 no uso de c\u00f3digos baseados na forma (Form-Based Codes) que incluem a especifica\u00e7\u00e3o de quais usos s\u00e3o permitidos em um edif\u00edcio ou local, mas com foco no car\u00e1ter f\u00edsico do desenvolvimento urbano, especificamente, no que diz respeito sobre como a edifica\u00e7\u00e3o se relaciona com a esfera p\u00fablica, aqui compreendida como os lugares que s\u00e3o por direito, compartilhados com todos que habitam as cidades.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-48ell\">Os c\u00f3digos baseados em formas s\u00e3o uma ferra\u0002menta mais adequada e confi\u00e1vel para alcan\u00e7ar o que desejava se preservar pelo uso do modelo convencional, baseado em zoneamento. Ainda nos anos 80, planejadores urbanos e arquitetos criaram os c\u00f3digos baseados em forma como uma alter\u0002nativa ao zoneamento convencional, subtraindo o foco baseado no uso e o substituindo por uma vis\u00e3o urban\u00edstica baseada na escala entre a edifica\u00e7\u00e3o e o usu\u00e1rio, na intensidade e densidade do desenvol\u0002vimento, na forma de constru\u00e7\u00e3o e uso democr\u00e1tico dos espa\u00e7os p\u00fablicos e nas rela\u00e7\u00f5es e interfe\u0002r\u00eancias entre as respectivas edifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-b1ghq\">Estudos demonstram que o c\u00f3digo baseado em formas \u00e9 capaz de diminuir externalidades negativas decor\u0002rentes do desenvolvimento urbano, assim como, \u00e9 mais apto ao compartilhamento social de exter\u0002nalidades positivas e negativas decorrentes deste mesmo processo de amplia\u00e7\u00e3o das cidades. Os c\u00f3\u0002digos baseados em forma s\u00e3o um m\u00e9todo de regu\u0002lamenta\u00e7\u00e3o do desenvolvimento urbano, que pode ser adotado em leis municipais, ainda de forma complementar ou transit\u00f3ria ao modelo atual, que objetivam enfatizar o car\u00e1ter f\u00edsico do desenvolvi\u0002mento e sua forma em determinada regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-tkdj\">Assim como em uma lei de zoneamento convencional, os usos do solo passam a ser regulamentados a partir de um modelo de desenvolvimento de interdepen\u0002d\u00eancia com a comunidade vizinha, especialmente as rela\u00e7\u00f5es entre os edif\u00edcios e a rua, pedestres e ve\u00edculos e espa\u00e7os p\u00fablicos e privados.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-84tpl\">O c\u00f3digo aborda essas preocupa\u00e7\u00f5es regulando o design do local, a circula\u00e7\u00e3o e a forma geral da constru\u00e7\u00e3o. Devido a essa \u00eanfase no design, os c\u00f3digos baseados em forma geralmente fornecem maior previsibilidade sobre os aspectos visuais do desenvolvimento, incluindo o qu\u00e3o bem ele est\u00e1 no contexto existente da comunidade. Eles oferecem a uma comunidade os meios para criar o desenvolvi\u0002mento f\u00edsico que ela deseja e aos desenvolvedores uma compreens\u00e3o mais clara do que a comunidade busca.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bu97p\">Os benef\u00edcios podem promover o adensa\u0002mento racional das cidades, diminuindo os mencio\u0002nados e indesejados impactos ambientais negati\u0002vos. O modelo permite ainda uma maior aceita\u00e7\u00e3o da comunidade circunvizinhas em rela\u00e7\u00e3o aos novos empreendimentos, ao mesmo tempo que viabilizam placemaking\u2019s e outras estrat\u00e9gias de engajamento social.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-86v1\">A partir de uma perspectiva de mercado, os c\u00f3digos baseados em forma substituem a antiga<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1mdqc\">l\u00f3gica que tinha como premissa apenas o valor do metro quadrado para o desenvolvimento de produ\u0002tos imobili\u00e1rios, por uma l\u00f3gica baseada na valori\u0002za\u00e7\u00e3o qualitativa do espa\u00e7o urbano, abrindo a porta para in\u00fameras novas oportunidades de receita em amplo consenso e alinhamento com o interesse das cidades e de todos que as habitam.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>G\u00e9ssica Alves &#8211; Coordenadora de Arquitetura e Urbanismo da \u00c9vora Urbanismo. Arquiteta Urbanista. P\u00f3s-graduanda em Infraestrutura Urbana para Loteamentos em BIM<\/em><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conectando o mercado e o urbanismo de qualidade. 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