Hub Economia: ‘To Business or not Business’; veja artigo de Adalberto Deluca

Há um desafio imenso à frente para toda e qualquer empresa. Pensemos como um iceberg invertido onde a parte mais estreita está submersa e acima d’água uma imensa, gigantesca montanha de gelo. Já dá para ver que podemos entrar numa fria… ou vender gelo, quem sabe! O jogo precisará ser planejado e não jogado. Pensemos em “jogado” como algo atirado, desprezado, mais do mesmo, tanto faz desde que, o plano é SER RELEVANTE. E para falar disso, respeitável público, está cheio de guru espalhado para todo lado. Alguns ditos influencers (influenciadores) outros apenas mágicos mesmo ou colegas de picadeiro. Até porque tem cada uma que vou te contar viu… Opa! virou fofoca!

Falando do jogo, houve tempo que bastava ser moleque de rua e já se formavam grandes times (escretes, na época, segundo uma Wikipedia da vida, ou conforme o seu Zé, lá da vendinha. Se alguém ao ler essas linhas não souber o que é vendinha basta ir ao supermercado e imaginar uma porta só, o checkout como um balcão, igual farmácia, sabe? Se bem que fui até uma dessas e não havia mais balcão também.

Me pareceu até aqueles programas de televisão, do tempo em que se podia assistir jornalismo e não… deixa para lá. Então, os profissionais se sentavam atrás de uma bancada, tipo uma mesa, parecia algo sério. De um tempo para cá colocaram os pobres coitados para apresentar de pé. Diz a lenda que uma dupla de apresentadores usava paletó, gravata

e… cuecas (!) atrás da tal bancada. Imagino se eles resolvessem apenas se levantar… Voltando à vaca fria (expressão que significa antes do churrasco ou da carne de panela para não esquecer que estamos em Minas Gerais) esse levanta-senta dessa turma chegou aos farmacêuticos pelo jeito. Com uma grande diferença, os bioquímicos já ficavam de pé ali

atrás dos balcões. Essa e a outra mudança ocorrida nas telinhas dá-se numa tentativa desses negócios se manterem relevantes.

RELEVÂNCIA! Outro dia mesmo um sonhador precisava ser empreendedor para começar e prosperar com seus capiaus (um sinônimo popular para grana, cascalho, bufunfa, faz-me-rir, ou dinheiro mesmo!) para crescer e prosperar, desde uma bodega até um simplório restaurante, para exemplificar os incontáveis tipos de comércio que proliferaram Brasil afora, excetos as borracharias que quase precisaram do uber dos pneus – os runflets – para reagirem um pouquinho, mas só um pouquinho mesmo. Alguns desses empreendimentos são hoje multinacionais, outros gigantes nacionais, outros ficaram pelo caminho, seja por falta de sucessores, de sucesso ou de… RELEVÂNCIA!

Se eu continuar descrevendo esse meio conto-meiohistória-meio-enciclopédia precisaremos marcar um colóquio (debate, conferência ou simpósio) para que não se cansem de ler, tamanho é a coisa toda. Ficando nas asserções até aqui descritas, mas lhes pedindo que soltem a imaginação e passem, por exemplo, do bom e difícil pacas (uma gíria popular e inocente de outro dia. Eita saudosismo!) e no que ele se transformou – beach tennis. Chique no último grau!

Se pensar na dimensão dessa transformação ocorrida após pelo menos 40 anos da simplicidade da velha raquete e suas teimosas bolinhas, então poder-se-á compreender os tempos atuais. Basta nomear tudo como BUSINESS.

Com essa palavra pomposa já houve show bizz, show business e certamente marca de alguma empresa daqui tentando parecer de lá. Já houve tempo que

essa expressão só circulava na Paulista (a avenida famosa) e hoje se divide nas farias limas, e por aí a fora. O que se tem como concreto mesmo (não pense em sólido, pois nem a argamassa é mais tão resistente) é que os negócios, de todos os tipos, matizes, formatos, propósitos, modelos não são ou serão mais os mesmos ou tal como antigamente. E não adianta apontar o dedo para a padaria conhecida ou mostrar a dona Maria quitandeira que parecem imunes a esse tempo, todos, absolutamente todos os negócios já estão condenados, fadados ou predestinados a serem modificados em sua essência.

Tudo por quê? Vamos lá. Primeiro, descuidamos do desenvolvimento profissional dos tais funcionários ou empregados. Gostamos a passar a chamá-los de colaboradores e até de associados sem adaptálos às mudanças que se aceleravam. Ignoramos a velocidade, intensidade e abrangência da tecnologia. Antes disso, mas com efeitos retroativos e até hoje postergados, perdemos o bonde do ensino com modelos ultrapassados, estáticos, mofados e insossos. Condenamos violentamente o futuro de crianças que um dia seriam como nós – adultos, profissionais, empreendedores – a um futuro medíocre ou falta de futuro ou à marginalidade.

Meu Deus, quanta acidez nessas palavras! E não pense que se trata aqui das vítimas da sociedade, periféricos ou de grau zero de capacidade econômica, todas as crianças de qualquer estrato social foram vilipendiadas (vilipendiar: desdenhar, subestimar, desacreditar, descasar, desprezar, envilecer, menoscabar, menosprezar, rebaixar, ufa!). Agora junte tudo isso e comece a temperar.

Os pais e mães dessa história – da concepção do caos e não das crianças – foram sortudos (como figura de linguagem pois não acredito em sorte) de um tempo de muita abundância, pouca vigilância, menor quantidade de agentes públicos gastadores perdulários (gastam mais do que arrecadam), com muito a ser criado pela escassez de recursos de transformação daquele tempo – basta – nos olhar o tempo decorrido entre a pedra lascada, o fogo e a máquina de tear – o que ampliava as janelas e avenidas de oportunidades.

Então, ocupados demais que ficamos, deixamos de promover a sucessão, este outro fenômeno do BUSINESS atual que irá impactar seriamente a duração das organizações empresariais.

Tem sanfoneiro das antigas que certamente fica chateado com a expressão “efeito sanfona” e com certa razão pois esse instrumento é arte pura e uma baita (de grandeza) dor de cabeça para aprender devendo ser mais respeitado. O fato é que os mercados passaram por isso por séculos com uma inovação aqui, uma retração ali e por aí afora. Pois fiquem em paz senhores da gaita (acordeom, sanfona etc., tudo com o mesmo significado), pois esse feito não volta tão cedo. Agora começa a era das empresas “esteiras”: pode girar sobre si mesmo, mas precisam ser contínuas em suas propostas para serem, adivinha só, RELEVANTES!

Como o brilhante Paulinho da Viola cantou: “foi um rio que passou em nossas vidas…”

Mas por que tudo isso? É preciso voltar um pouco e resgatar uma frase famosa criada por um bemsucedido marqueteiro de campanha eleitoral americana e parodiá-lo (paródia: reescrita com arremedo ou plágio). Dizia Carville: “É a economia, estúpido!” E assim dizermos: É a tecnologia, estúpido! (perdão pela expressão forte e mal-educada, é só uma dose de energético frasal). Sim, criamos soluções mágicas, grandes avanços em todas as áreas, criamos soluções para a saúde, para as finanças, para a fotografia, o cinema, a indústria fabril, para toda a cadeia da indústria de alimentos. Como ali, logo no começo desse artigo, a vendinha, a quitandeira, o futebol que já não é mais dos moleques e sim de milionárias estruturas empresariais, tudo, repetindo tudo, está em posição de recomeço ou de extinção.

Observe bem que não é citado a indústria do ensino (!). Precário e mal-acabado o setor sofre, sofre e faz sofrer. Há até um contexto desses que circulam por aí via fofoca digital dizendo que, se um médico morto há duzentos anos voltasse a trabalhar hoje, não conseguiria facilmente tamanho o nível de mudanças no setor da medicina. Entretanto, se você ressuscitar um professor ele não se sentiria intimidado em uma sala de aula. Pasmado eu continuo a vociferar (berrar, bradar, bramar, clamar, conclamar, gritar, ulular, vozear) por aqui. Não adianta repetirmos outra frase, essa sem caráter “Onde foi que erramos?” Isso já é demais. Perguntar essa monstruosidade e continuar fazendo tudo igual é um pecado letal para nossa moral, os bons costumes e as boas famílias.

De volta ao começo

Por que este texto insiste tanto com a RELEVÂNCIA e depois traça caminhos paralelos para chegar até aqui? Porque, juntando tudo, o tempo das transformações antes versus as transformações atualmente; a fragilidade humana no universo dos negócios onde tantos e tantos são e serão rejeitados por sua falta de jeito com o trabalho, a profissão e

o discernimento; a escassez dos recursos naturais outrora abundantes; nossa contínua falta de jeito para assuntar (apurar, considerar, matutar, meditar, sentar, verificar) as mudanças e a velocidade ultrassônica impostas pelas rupturas tecnológicas – para ficar só nessas abordagens – nos esquecemos de que o único capital de verdade de uma empresa não é o quinhão (parte, prestação, parcela, porção, cota, quota, fração, fado, destino) de moeda que os fundadores colocam no caixa. O único e verdadeiro capital de qualquer BUSINESS (provocação, calma!) é o senhor, a senhora, reis e rainhas, os CLIENTES!

Sabe o que está acontecendo com eles? Barganham o mais vil (insignificante, ordinário, desprezível, abjeto, escroto) desconto até tirar do ramo de negócio qualquer empresa de peito estufado. Ou trocam de endereço (eletrônico claro) ao estalar de dedos – Ah! Vá! Não posso repetir isso pois já não se estalam dedos também – ao olhar para a tela-mágicatecnologicamente-avançada ou até simplesmente pensando no desprezo que quer dedicar ao último sítio online, vulgarmente chamado de saite. Vou usar outro arroubo de antiguismo (sic – que por sua vez significa ‘estrito assim mesmo’): de pensar morria um burro, hoje pensar conecta e dispara a inteligência artificial e Pahh! Pow! Puhn! (esse veio dos gibis, mas não me atrevo a colocar aqui o que significa gibi), já está traçada a rota da extinção de mais uma empresa. Se parar para pensar, já desde ontem os cirurgiões operam à distância com precisão cirúrgica (perdoem o trocadilho, não resisti) e assim as enfadonhas esperas nas antessalas dos consultórios ficam com os dias contados; máquinas agrícolas trabalham, e bem, de forma autônoma; na Itália, há um tempo, utilizei um mictório (lugar público, dotado de vasos especiais para neles se urinar) que se auto limpa e higieniza (sozinho, e muito bem) por uma moeda. Não espere e verás, diria um bom conselheiro empresarial. Não durma no ponto, tão pouco no ponto com. Quem espera não alcançará nada. Na dúvida, acelere seu negócio. O cliente sabe, de onde nada se espera não virá nada mesmo. Pronto está escrito.

O que ser quando crescer

Traduzindo, não linguisticamente, o título dessas mal traçadas linhas: Para Ser ou não ser um negócio não se trata mais de escolha de quem empreende, mas sim do quanto o público torna tais negócios em algo RELEVANTE, eternos até o que a morte os alcance. Se choca alguém essa constatação, sinto muito, vou ali vender lenços e faturar uns trocados,

pois quem sabe assim serei RELEVANTE por algumas míseras enésimas centelhas da fração de um segundo. Aí entram os conceitos tão importantes, também Business de alto valor se, entregar valor: Customer Service (serviços ao cliente), Customer Experience e/ou UX (experiência do cliente/usuário), NPS (Índice de Promoção do Cliente), jornada do cliente, Customer Advisers (conselheiro de clientes), Omnichanell (canais de contato), hábitos de consumo, Call to Action (chamar para a ação), Lead (clientes potenciais a serem atraídos), Persona (modelo do cliente ideal), Conversão, LTV (valor vitalício do cliente), Growth Marketing (crescimento rápido) entre outras pelo menos setenta estratégias, ferramentas, táticas e tecnologias que não devem ser, elas também, vilipendiadas!

To Be or not to Be?!

Por Adalberto DELUCA, consultor de empresas para resultados exponenciais, sócio fundador da Know How Consulting.

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