Cooperativismo nacional pode ir muito além

Um dos setores que mais tem-se modernizado no País é o das cooperativas, tanto as de produtores como as de crédito. A cooperativa Frísia, presente nos estados do Paraná e do Tocantins, com 1.046 cooperados e 1.190 colaboradores, foi destaque nas redes sociais por ter obtido um faturamento recorde na ordem de R$ 7.058 bilhões. Nevair Mattos, o gerente executivo, pontuou que esse bom crescimento se deve ao aumento dos preços das commodities, ao avanço da produtividade e à aplicação do Planejamento Estratégico “Rumo aos 100 anos”, um conjunto de ações estratégicas a serem implementadas até 2025. A Frísia abraçou a diversificação, aprovou a inclusão da atividade de pecuária de corte, tem várias lojas e produtos com marca própria e está presente em várias localidades. (Fonte: Canal Rural).

(Na foto, Hélio Mendes )

Há uma década, quando se falava em cooperativismo, vinha à mente o Sul do País. Hoje já temos cases de sucesso em todas as regiões. Minas é um bom exemplo em café, pecuária e crédito. Um dos motivos de o estado ter bons resultados se deve ao cooperativismo.

Está bem, mas podem ir além. Como já foi dito, o Brasil é a “fazenda do mundo”, entretanto, temos defendido que pode ser também a “fábrica do agro mundial”, antes que a China o faça utilizando as nossas riquezas – como já está fazendo no continente africano e avançando de forma exponencial em nosso território.

Os produtores nacionais dominam da porteira para dentro e as cooperativas têm a responsabilidade de ir bem longe, ultrapassar nossas fronteiras; não através das indústrias estrangeiras, mas mudando a cultura das nacionais, para atuarem num contexto internacional. O que era impossível deixou de ser em razão das novas tecnologias.

As primeiras ações: ter um planejamento de longo prazo, a exemplo da Frísia (a maioria ainda trabalha com o horizonte de duas safras); fazer duas transformações, a cultural e a digital – o que exige tornar o setor de Recursos Humanos proativo, com obrigação de formar lideranças, boas equipes; ter estruturas flexíveis; automatizar o máximo possível; e levar a sério algo que tem atormentado os nossos concorrentes europeus: o processo de sucessão no campo. A preocupação sobre meio ambiente também é importante, mas pode ser uma distração criada pelos nossos concorrentes, já que a maioria não preserva como preconiza.

Outro ponto: as cooperativas suprem as demandas das cidades onde estão instaladas, normalmente pequenos e médios municípios. Quando ampliarem o foco, vão encontrar muitas oportunidades. Uma delas está na bioeconomia.

  • Hélio Mendes – Consultor de empresas, foi secretário na área de planejamento e meio ambiente da cidade de Uberlândia/MG – Professor em cursos de pós-graduação e da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG.
  • Luiz Bittencourt – Engenheiro – UFF/RJ, Master of Engineering – McGill University/Canadá

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