Uma viagem no tempo

O mercado de antiguidades reflete diretamente as crises e bonanças econômicas, pois as pessoas buscam nesses objetos antigos beleza, durabilidade e estética única.

Carolina Barros | Fotos Mauro Marques | Henrique Vieira | Íris Sene

Antiguidades singulares, miniaturas, moedas raras, louças e porcelanas preciosas, estatuetas, artigos de decoração, bronzes que reluzem como ouro e relógios centenários. Estes são apenas alguns dos tesouros encontrados no Centenariun’s, no Bairro Fundinho, em Uberlândia.

Cada peça é um testemunho da beleza e raridade de épocas passadas. Imagine-se diante de um relógio de mesa em bronze com banho de ouro Ormolu, ricamente trabalhado em cloisonné, com mostrador em porcelana e vidro frontal bisotado, avaliado em R$ 16.500. Ou admirando porcelanas Noritake filetadas a ouro: um conjunto composto por bule, chaleira, cremeira, açucareiro, 12 pratos de sobremesa, 12 xícaras para chá com pires e 10 xícaras para café com pires, por R$ 2.850.

Gilson Pacheco, desde criança, sentia-se atraído por peças antigas. Adolescente, frequentava antiquários e, assim que pôde, começou a comprar peças. Após anos colecionando, a falta de espaço o levou a vender parte de sua coleção. Em 2001, abriu sua loja de antiguidades, onde continua até hoje. “O mercado de antiguidades reflete diretamente as crises e bonanças econômicas, pois as pessoas buscam nesses objetos antigos beleza, durabilidade e estética única. Esses itens, embora muitas vezes caros, possuem um valor intrínseco que os diferencia dos produtos modernos e massificados”, explica Pacheco.

Observar, tocar ou apenas contemplar um objeto antigo pode evocar recordações e sentimentos espetaculares, transformando esses itens em verdadeiros “portais do tempo”. Pacheco ressalta que, ao investir em antiguidades e conservá-las bem, é possível revendê-las no futuro pelo valor investido, tornando seu uso quase gratuito.

No Centenariun’s, localizado em Uberlândia, é possível encontrar centenas de artigos únicos de decoração e arquitetura, enriquecendo e tornando o colecionismo ainda mais vibrante.

Museu dos Ferroviários em Araguari preserva parte importante da cultura da cidade

O Museu Histórico e Geográfico de Araguari é um destino imperdível para quem deseja conhecer a história e cultura do município. Fundado em 23 de fevereiro de 2006, está situado no Palácio dos Ferroviários, antiga Estação da Goiás, que também abriga a sede da Prefeitura. O museu possui um acervo diversificado com mais de mil peças, incluindo fotos de época, vestimentas, ferramentas, documentos e objetos que constituem uma verdadeira arqueologia ferroviária da região. Essas peças resgatam o passado e a história da Estrada de Ferro Goiás e da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

O edifício da antiga Estação de Ferro Goiás representa um elemento fundamental na compreensão não somente da formação de Araguari, mas do Triângulo Mineiro. Em 1906, iniciou-se a instalação da Estrada de Ferro Goiás, conectando diretamente Minas Gerais, Goiás e São Paulo, impulsionando o desenvolvimento econômico, social e educacional da cidade. Com aproximadamente 15 mil assinaturas no livro de visitas, muitas de fora da cidade, o museu atrai diversos visitantes ilustres, incluindo o ex-senador José de Alencar. O museu promove exposições temporárias e eventos culturais, proporcionando uma experiência enriquecedora aos visitantes que podem visitá-lo de segunda à sextafeira, das 12h às 18h.

Museu Vera Maximiano Drummond em Ituiutaba – mais de meio século de história

O Museu Vera Maximiano Drummond, nomeado em homenagem à matriarca da família, preserva mais de meio século de história. Vera, filha de Arlindo Maximiano de Almeida, um pioneiro na pecuária em Capinópolis, casou-se com Benedito Peres Drummond, continuando o legado agropecuário da família.

A paixão pela pecuária, especialmente pelo gado Zebu, foi transmitida pelas gerações, culminando na criação da Fazenda Haras Barreiro, que abriga o museu. O acervo inclui raças zebuínas como Gir, Guzerá, Kangayam, Nelore, Puganor e Sindi, além da raça africana Watusi, búfalo Jafarabadi e cavalo árabe, entre outros, criados para a preservação das raças puras. Um banco genético de sêmens raros também faz parte do acervo, assim como outras raças primitivas de animais raros como o porco casco de burro, a galinha Aseel Rajah Murg e o carneiro quatro chifres.

Arlindo Maximiano Drummond, filho de Vera e Rui, começou a colecionar diversas antiguidades da família, incluindo implementos agrícolas antigos, obras de arte, mobiliário do século XIX, prataria, utensílios domésticos, carruagens e minerais, além de todo um acervo arqueológico e paleontológico, inclusive meteoritos de bilhões de anos e fósseis com milhões de anos. A princípio eram somente as peças antigas usadas pelos antepassados, mas a coleção foi crescendo com outros itens, como peças trazidas de viagens, presentes de amigos, obras de arte de leilões, o que começou a atrair o interesse das pessoas e das escolas em visitar o local.

Em breve, o antigo barracão da família, da década de 40, no centro de Ituiutaba irá expor as coleções de documentos raros, livros antigos, esculturas, telas e móveis, oferecendo um rico panorama histórico e cultural.

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