Em tempos de IA x IE – A corrida é por produtividade com saúde
Cristiane de Paula | Fotos Divulgação
Revolução ou seleção? A Inteligência Artificial (IA) veio para transformar o mercado de trabalho e, com ela, a importância em manter a saúde mental para nos manter na corrida desse novo no mercado.
Nossa Inteligência Emocional (IE) passou a ser essencial nesse tempo, que muitas vezes parece desleal. Poderia iniciar o parágrafo com: já parou para pensar? Mas, não pare, não dará tempo e perderá o foco. Preparado?
A cada segundo o mundo produz e compartilha 2,9 milhões de e-mails, 8.947 posts no Twitter, 987 fotos no Instagram, 4.602 chamadas no Skype e 82 386 pesquisas no Google. Os números foram levantados pelo site Internet Live Stats, estão de fora desse levantamento, o conteúdo e chamadas de outros aplicativos de videoconferência.
Neste sentido, surge uma diversidade de questionamentos, especialmente sobre como equilibrar a produtividade com a preservação da saúde de um modo geral. Sabemos que tudo está interligado: se a mente vai mal o corpo acompanha.
O impacto da chamada “Quarta Revolução Industrial” trouxe um aumento significativo de diagnósticos até então raros, como a Síndrome de Burnout. A pressão por alto desempenho e competitividade, com níveis de exigência cada vez maiores, levou ao crescimento de doenças emocionais, resultando em índices de registros de afastamento do trabalho. De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, em 2023, foram concedidos quase 300 mil benefícios por incapacidade (temporária ou permanente), um aumento em mais de 38%, se comparado ao ano de 2022. As principais causas estavam relacionadas aos transtornos mentais e comportamentais, como depressão, ansiedade e a Síndrome de Burnout.

Como resposta à essa realidade, o Ministério da Saúde publicou, em julho deste ano, uma portaria que inclui essas enfermidades, bem como tentativa de suicídio e outras condições comportamentais, na lista de atenções prioritárias para a saúde mental no ambiente de trabalho. Para o bom relacionamento, nesse momento de revolução tecnológica, empresas e trabalhadores têm buscado cada vez mais conhecer a importância da capacidade emocional, visando reduzir custos com afastamentos e risco de demissões. De acordo com médicos e especialistas em inteligência emocional, um ambiente de trabalho que negligencia a saúde mental está fadado ao fracasso, enquanto um que prioriza o bem-estar emocional de seus colaboradores colhe frutos de uma equipe mais engajada, produtiva e saudável. Novo nicho de mercado Profissionais de saúde, como cardiologistas, vem cada vez mais ampliando o campo de atuação. Já está comprovada a estreita ligação entre as doenças cardíacas e fatores emocionais. Depressão, estresse e ansiedade, quando combinadas com condições de obesidade, dores de cabeça não diagnosticadas, tabagismo, pressão alta ou diabetes, aumentam significativamente o risco de complicações cardiovasculares, elevando em até 4 vezes ao risco de morte. Cardiologistas tem ampliado a área de atuação e levado essa compreensão dos consultórios atuando, também, diretamente em empresas. São cada vez mais frequentes as palestras e consultorias com o objetivo de melhorar a qualidade de vida no trabalho, para terem menos afastamentos, sobrecarga de trabalho para quem fica e menores riscos de desemprego. O médico cardiologista Anderson Rodrigues já trabalhou em ambientes de alta performance como o Hospital das Forças Armadas em Brasília e no Sabin Medicina Diagnóstica na assessoria científica, se destacando nessa nova fronteira do conhecimento.

Com especialização em Inteligência Artificial aplicada à saúde pelo MIT, Anderson é um especialista em entender como a pressão por performance, especialmente entre as mulheres, impacta o sistema cardiovascular. Para ele, investir na saúde mental dos funcionários é fundamental para cultivar um mindset ágil, com maior engajamento e protagonismo saudável, sem riscos. Atualmente, está cada vez maior o número de empresas que buscam estes especialistas para realizarem diagnósticos entre seus executivos e colaboradores para explorarem o melhor de cada um de maneira mais assertiva e colaborativa. E, estão longe de serem receitas simples, que acabam com os desafios, são estratégias em um mundo moderno, para controle de riscos e extrair o melhor das competências explorando o conhecimento coletivo das empresas. Carlos Aldan, que já foi administrador no Brasil do Complexo Empresarial da World Trade Centers Association, reúne a experiência da organização que fomenta o comércio pelo mundo e há mais de 20 anos vem no caminho da preparação dos novos CEOs e colaboradores desse ambiente, da “Quarta Revolução Industrial” cada vez mais acirrado. “No cenário empresarial atual, marcado por mudanças aceleradas e incertezas crescentes, a inteligência emocional e a saúde mental surgem como pilares fundamentais para o sucesso organizacional,” afirma Carlos Aldan. “Não são mais apenas ‘habilidades desejáveis’, mas competências essenciais que determinam a capacidade de uma empresa de inovar, adaptar-se e prosperar. A volatilidade do mercado global e as demandas intensificadas sobre os colaboradores tornam imperativo que as organizações, independentemente de seu tamanho, integrem práticas de bem-estar emocional em sua cultura. Empresas que negligenciam esses aspectos arriscamse a enfrentar declínios em produtividade, criatividade e, consequentemente, em sua competitividade no mercado.”
Carlos Aldan atualmente mora em São Paulo de onde coordena, há mais de 20 anos, uma escola de inteligência emocional para despertar o valor da saúde. São ferramentas de apoio às empresas e equipes de colaboradores que associam inteligência emocional, neurociência, para o negócio de sucesso, em tarefas do dia a dia. São gestões de crises e escudos para suportar toda a avalanche de informações e pressão pela performance cada vez melhor. “É fundamental entender que, embora a competência técnica possa ser adquirida individualmente, sua implementação eficaz e criação de valor real ocorrem dentro da cultura de uma organização – e cultura é, essencialmente, relacionamento. Sem o desenvolvimento do autoconhecimento, autorregulação emocional, empatia e propósito individual, até mesmo o profissional mais tecnicamente competente pode falhar em criar valor significativo para a organização. Afinal, são as pessoas que criam valor e, para isso, é necessário se relacionar, se conectar, ser influente e inspirador – todos domínios da inteligência emocional”, explica Carlos Aldan. Ele ainda acrescenta que o mapeamento na empresa é importante para esse processo de gestão emocional segura. “Ela é uma ferramenta fundamental nesse processo, é o Mapeamento Diário de Emoções Kronberg, uma estrutura robusta e transformadora que fortalece o autoconhecimento, identifica crenças limitantes, associações prejudiciais e ações de autossabotagem. Esta prática cria oportunidades concretas de escolhas e mudanças, sendo a base para o desenvolvimento das outras competências emocionais. Além disso, há programas de mentoria reversa para aprimorar a empatia entre gerações, práticas de mindfulness para melhorar a autorregulação emocional, e exercícios de reflexão guiada sobre propósito individual para alinhar motivações pessoais com objetivos organizacionais.” Aldan conclui enfatizando a conexão vital entre IE e saúde mental nas empresas: “É fundamental reconhecer que a inteligência emocional é o maior preditor de sucesso na vida, abrangendo eficácia profissional, saúde e bem-estar, qualidade dos relacionamentos, resolução de conflitos e satisfação geral com a vida. Nas empresas, isso se traduz em ambientes de trabalho mais saudáveis, com menor incidência de burnout, maior engajamento e, consequentemente, melhor desempenho organizacional. Investir no desenvolvimento da IE não é apenas uma estratégia de bem-estar, mas uma abordagem holística para criar organizações mais resilientes, inovadoras e bem-sucedidas no longo prazo.”
