Inteligência Artificial no rádio
Rogério Silva
Brasil afora, nos congressos e workshops de negócios, a máxima é a seguinte: “A IA não vai tirar o seu emprego. Mas quem souber trabalhar a IA, muito provavelmente, ficará com a sua vaga”.
Assisti atentamente à palestra do Marco Túlio Nascimento, engenheiro de telecomunicações e diretor da ZYDigital, um hub de inteligência digital e inovação. Foi durante o último encontro de radiodifusão de Minas Gerais, na charmosa Diamantina, no mês de abril. O evento é promovido pela AMIRT – Associação Mineira de Rádio e Televisão – da qual tenho a honra de ser diretor, e focou dessa vez em temas muito atuais e que têm nos assustado, dada a velocidade de evolução.
Nas comunicações, em especial no rádio, a IA está revolucionando o modo de produzir áudio, com uma receita nova, barata, eficaz e, acima de tudo IRREVERSÍVEL. Não estou falando de radio web e nem de podcasts, fórmulas a que já estamos familiarizados. É o rádio tradicional mesmo. Esse do dia a dia, no carro, na mesa de trabalho, em cima da geladeira da cozinha.
Locução, texto publicitário, condução de entrevistas, a dinâmica de mesclar música e informação com a cadência desejada pelo diretor, a entonação esperada e até o sotaque. Isso mesmo! O mineirês que pode ser do Triângulo ou da região metropolitana de BH, cada um com sua própria característica. Cada vez de forma mais realística, menos metalizada e muito envolvente.
De quem é a voz que me acompanha no meu dia a dia no rádio? Tem nome, tem rosto? Pelas ferramentas modernas da inteligência artificial, pode até ter. Mas é uma criação feita em computador.
O resultado completo de conteúdos inteiros, ponta a ponta, a partir de comandos de texto. Em softwares modernos e que fazem uso de acervo infinito de informações disponíveis na internet, fornecidas por nós mesmos ao longo de décadas.
Sim, é assustador, mas convincente. E teremos que conviver com isso porque é impossível frear a IA que está revolucionando o mercado de áudio digital, com as ferramentas mais relevantes e suas funcionalidades e aplicações práticas. Processamento de linguagem natural e dinâmica, em experiências sonoras mais sofisticadas que a Alexa do quarto ou a moça virtual do 0800 do banco.
Locutores, produtores de áudio, compositores de jingle, sonoplastas e a turma em geral dos estúdios FM, não se desesperem. O ser humano é adaptável e o mercado de trabalho se molda ao sabor dessas transformações. Vamos entender esse bicho de 7 cabeças e fazer com que ele trabalhe a nosso favor, para deixar a nossa Inteligência Humana preponderante como sempre.
Rogério Silva é superintendente do Grupo Paranaíba de Comunicação, em Uberlândia, e diretor da AMIRT – Associação Mineira de Rádio e Televisão.

