Hábitos que protegem o coração e o cérebro

Geni Costa | Fotos Divulgação
O coração e o cérebro, embora tenham funções distintas, estão profundamente conectados. Essa relação vai além da circulação sanguínea; eles atuam em harmonia, formando uma via de mão dupla em que a saúde de um influencia diretamente o funcionamento do outro. Compreender essa conexão é fundamental para prevenir doenças e promover um envelhecimento saudável e ativo.
O coração é responsável por bombear sangue oxigenado e nutrientes para o corpo, incluindo o cérebro. Sem esse fluxo constante, o funcionamento cerebral fica comprometido. Problemas cardíacos, como hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca ou obstruções nas artérias, podem causar dificuldades de concentração, lapsos de memória e, em casos graves, AVC ou demência vascular.
Por outro lado, o cérebro também influencia o coração. Estados emocionais como estresse, ansiedade e depressão liberam substâncias que elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial, sobrecarregando o sistema cardiovascular. Com o tempo, isso aumenta o risco de doenças cardíacas graves, como infarto e arritmias.
Estudos desde os anos 90 já mostraram que alterações na saúde cardíaca estão relacionadas a doenças da massa cinzenta, especialmente degenerativas. Pesquisadores do RUSH
Alzheimer’s Disease Center, por meio do Rush Memory and Aging Project (MAP) e Religious Orders Study (ROS), investigaram a relação entre doenças vasculares cerebrais, saúde do coração e Alzheimer. Uma nova evidência aponta que cuidar dos fatores modificáveis relacionados à saúde cardiovascular reduz as chances de desenvolver essa doença neurodegenerativa.
A pesquisa avaliou 1.018 adultos com 65 anos ou mais, constatando que aqueles que controlaram melhor sete fatores de risco cardiovascular apresentaram menos biomarcadores de neurodegeneração. A American Heart Association (AHA) identificou esses fatores, agrupados no “Life’s Simple 7”, como essenciais para a saúde cerebral e cardíaca.
Os sete fatores são:

  1. Pressão arterial elevada (hipertensão): danifica vasos sanguíneos cerebrais e aumenta o risco de AVC silencioso e demência vascular.
  2. Colesterol alto (LDL): contribui para a formação de placas que reduzem o fluxo sanguíneo cerebral e aceleram a neurodegeneração.
  3. Clicemia elevada (pré-diabetes ou diabetes): prejudica a estrutura cerebral e promove o encolhimento de áreas relacionadas à memória.
  4. Sedentarismo: a falta de atividade física diminui, a oxigenação cerebral e favorece processos inflamatórios e acumulo de proteínas tóxicas, como a beta-amiloide.
  5. Alimentação não saudável: dietas ricas em gorduras saturadas, sal e açúcar aumentam o risco de doenças cardiovasculares e processos inflamatórios ligados à perda cognitiva.
  6. Obesidade: especialmente na meia-idade, está associada à inflamação, resistência à insulina e maior risco de Alzheimer.
  7. Tabagismo: reduz a oxigenação cerebral, danifica vasos sanguíneos e acelera o envelhecimento cerebral, sendo um fator comprovado de risco para demência.
    Manter hábitos saudáveis que controlam esses fatores – refletidos no “Life’s Simple 7” – está ligado a menor dano neuronal na velhice. Estudos indicam que mudanças simples no estilo de vida podem reduzir em até 60% o risco de Alzheimer.
    Cuidar do coração, portanto, não só protege o corpo, mas também o cérebro, promovendo um envelhecimento mais cognitivo e emocionalmente saudável. Essa conexão reforça que corpo e mente funcionam integrados, e que escolhas conscientes ao longo da vida garantem mais anos de lucidez, energia e bem-estar.
    Profa. Dra. Titular Geni de Araújo Costa
    Universidade Federal de Uberlândia | Ativista do Envelhecimento Ativo
    Podcaster | Comunicadora | Palestrante
    @benditaidade

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