Inteligência Artificial deixa de ser tendência e se torna estratégia de sobrevivência nos negócios

Ferramentas prontas ajudam, mas cada empresa tem uma dor diferente

Carolina Barros

A inteligência artificial já não é mais uma promessa distante nem um privilégio de grandes corporações. Ela está no atendimento bancário, na odontologia digital, no marketing, no desenvolvimento de aplicativos, na gestão comercial e até no relacionamento entre empresas e clientes. Esse foi o centro do debate do novo Núcleo de Inovação da Revista Hub Club, formado por Célio Cardoso, Pedro Soares, Fábio Masson, Edjay Muniz e Lucas Mendes, em um encontro realizado no Clube do Café, com foco em desmistificar o uso da tecnologia para empresários de Uberlândia e região.

A proposta do núcleo é clara: mostrar que a IA não é um “bicho de sete cabeças”, mas uma ferramenta acessível para pequenos, médios e grandes negócios.

Um dos principais desafios ainda não está na tecnologia em si, mas na falta de direcionamento estratégico. A tecnologia está disponível para todos, mas falta alguém que diga ao empresário qual caminho seguir. Existe muito palpite e pouca especialização.

Esse receio é ainda maior entre empresários mais experientes, especialmente os chamados “40+”, que muitas vezes enxergam a IA como ameaça. Para o grupo, porém, a inteligência artificial deve ser vista como aliada.

A IA não substitui pessoas, ela potencializa resultados. O segredo está em quem está por trás dela. Um agente de IA funciona como um colaborador que precisa ser treinado com processos, informações e direcionamento, com a diferença de que ele não pedirá demissão no mês seguinte.

A chamada engenharia de prompt, a capacidade de orientar corretamente a IA para obter bons resultados, surge, inclusive, como uma nova profissão. Afinal, a ferramenta não entrega valor sozinha: exige conhecimento técnico, supervisão e validação humana.
Na comunicação e no marketing a IA reduziu custos e ampliou possibilidades. Produções audiovisuais que antes exigiam locação, equipe e grande estrutura hoje podem ser executadas com qualidade e menor investimento.
Hoje se consegue multiplicar criativos publicitários, testar campanhas mais rápido e reduzir custos por lead. Isso se torna ainda mais importante em um cenário em que plataformas como a Meta repassam novos custos ao anunciante.

No desenvolvimento de software, a IA acelera a criação de MVPs – produtos mínimos viáveis – e provas de conceito, permitindo que o empresário visualize seu projeto antes mesmo da execução final. Ainda assim, a personalização continua sendo essencial.

Ferramentas prontas ajudam, mas cada empresa tem uma dor diferente. A cabeça de cada empresário é única. A customização continua sendo o diferencial.

Outro ponto central da discussão foi a confiança. Mesmo com automações, o relacionamento humano segue sendo decisivo. Portfólio, autoridade, indicação e reputação continuam sendo os maiores ativos no mercado. A indicação do cliente é a verdadeira plaquinha de sucesso.

Eleições e o risco iminente de deepfakes
Com o período eleitoral se aproximando, o núcleo também alerta para o lado nocivo da IA. Deepfakes e vídeos ultrarrealistas podem ser usados para manipulação política e desinformação. Se em 2022 a tecnologia ainda tinha limitações técnicas, com uma realidade de 5% em média, hoje ela alcança níveis de realismo superiores a 90%. Um candidato poderia facilmente aparecer em um vídeo falando coisas que nunca disse.

Nesse cenário, a presença ao vivo – seja na TV, em debates ou em eventos presenciais – volta a ganhar força como fator de credibilidade. A conclusão do grupo é direta: não há mais espaço para resistência à tecnologia. O futuro dos negócios será cada vez mais híbrido, unindo físico e digital, automação e humanização.

“Não adianta torcer o nariz para a tecnologia. Não tem volta”, resume o núcleo. E para quem souber usar essa transformação com inteligência, a IA deixa de ser tendência e passa a ser vantagem competitiva.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.